Relatório da ONU identifica mudanças climáticas como grande desafio para o desenvolvimento

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil

UNPD Relatório da ONU identifica mudanças climáticas como grande desafio para o desenvolvimentoAs mudanças climáticas são um dos grandes obstáculos para objetivos mundiais de desenvolvimento como erradicação da pobreza, educação universal, maior expectativa de vida, prevenção de doenças etc., afirma o Relatório de Desenvolvimento Humano 2014 (HDR), lançado em Tóquio na última semana.

O documento, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), identifica as mudanças climáticas e os desastres naturais como uma das seis grandes ameaças ao desenvolvimento humano, juntamente com riscos econômicos, desigualdade, insegurança alimentar, insegurança física e problemas de saúde.

Por exemplo, o texto afirma que as mudanças climáticas produzirão mais secas em regiões áridas e furacões, tufões e outros eventos climáticos extremos mais intensos e frequentes, levando também ao aumento do nível do mar, enchentes, escassez de água em regiões chave, migração e extinção de espécies de plantas e animais e acidificação dos oceanos.

Corte seletivo em florestas para exploração de madeira pode afetar a fauna

corteseletivo Corte seletivo em florestas para exploração de madeira pode afetar a fauna

Após revisar mais de 50 estudos, pesquisadores afirmam ter concluído pela primeira vez quais são os impactos do manejo florestal sobre a biodiversidade.

Com o aumento do combate ao desmatamento, a madeira de árvores tropicais torna-se cada vez mais valorizada comercialmente. Assim, as práticas de corte seletivo, onde acontece a retirada apenas de determinadas espécies, geralmente de grande porte, são muito defendidas como uma forma menos danosa de ainda ter acesso a essas árvores.

Uma das justificativas para essa atividade é a de que são cortadas algumas espécies de árvores, com a floresta permanecendo relativamente intacta.

Sudeste, rumo à desertificação

secawiki 300x204 Sudeste, rumo à desertificação

Foto: Wikimedia commons

O sudeste do Brasil, parte da região central e do sul caminham para se tornar desérticas. A seca registrada este ano na porção centro-sul, principalmente em São Paulo, está ligada a permanente e acelerada degradação da floresta amazônica. O transporte de umidade para as partes mais ao sul do continente está sendo comprometida, pois além de sua diminuição é trazido partículas geradas nos processos de queimadas que impedem a formação de chuvas.

Os cientistas do (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) há mais de uma década fizeram esse alerta, que a cada ano está pior e mais grave. E coloca em confronto o modelo econômico agropecuário, baseado em commodities, com a área mais industrializada, produtiva e rica do país. E também a mais urbanizada e detentora de 45% da população brasileira e abrigada em apenas 10,5% do território nacional.

Reservas extrativistas enfrentam o desafio da sucessão

extrativismo Reservas extrativistas enfrentam o desafio da sucessão

Pesquisadora destaca, na 66ª Reunião da SBPC, importância de dar condições para que a atual geração de jovens que vive nas unidades de conservação permaneça na floresta.
Foto:Aurelice Vasconcelos/ICMBio

Agência Fapesp – As reservas extrativistas representam um fator importante em termos de proteção da Floresta Amazônica, abrangendo atualmente 24 milhões de hectares – área equivalente a 5% do território do bioma.

Alguns dos principais desafios para a continuidade do projeto, contudo, serão dar condições sociais e econômicas para que a atual geração de jovens que vive nessas unidades de conservação permaneça na floresta e assuma o papel de liderança desempenhado por seus pais e avós nas últimas décadas.

A avaliação foi feita por Mary Allegretti, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em palestra sobre os 25 anos de criação das reservas extrativistas, durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Com o tema “Ciência e Tecnologia em uma Amazônia sem fronteiras”, o evento ocorre até o próximo domingo (27/07), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.

Casa Branca: Custos das mudanças climáticas podem subir 40%

obama 1 Casa Branca: Custos das mudanças climáticas podem subir 40%

Conselheiros econômicos de Barack Obama redigiram um estudo alertando que a falta de estratégias para mitigar o aquecimento global pode resultar em prejuízos econômicos de até 3% do PIB mundial.

A Casa Branca divulgou um relatório que examina as consequências econômicas de se adiar ações climáticas, e concluiu que o atraso na implantação de políticas de mitigação em uma década aumenta os custos totais das medidas em cerca de 40%.

A nova publicação, elaborada pelo Conselho Econômico do governo Obama, alerta que permitir um aumento nas temperaturas de 3ºC – em vez da meta estabelecida internacionalmente de 2ºC – intensificaria as perdas econômicas em 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Se o aumento fosse de 4ºC, o prejuízo alcançaria 3,1% do PIB. Nos Estados Unidos, isso significaria US$ 150 bilhões em 2014.

E os custos apontados não são pontuais, mas ocorrerão ano após ano devido aos danos permanentes causados pelo aumento das mudanças climáticas e a inação.